Depois de corte de verbas, universidades se inscrevem no Sisu

Em meio a uma crise orçamentária provocada por cortes feitos pelo Ministério da Educação (MEC), começam nesta terça-feira, 2, as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para as universidades públicas. As instituições que desejarem oferecer vagas para o segundo semestre letivo têm entre esta quinta-feira e o próximo dia 10 de maio para formalizarem sua adesão ao programa. Depois, em junho, em data ainda não definida, as vagas serão ofertadas aos estudantes que fizeram o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2018.

Quem se inscrever para uma universidade federal pelo Sisu a partir de agora o fará com a maior das incertezas. Na última terça-feira, 30, o MEC divulgou um corte de 30% nos orçamentos das federais de todo o país para o segundo semestre. A decisão foi tomada horas depois de o ministro da Educação, Abraham Weintraub, ter indicado que iria reduzir apenas as verbas da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O novo percentual de repasse será um caos para as instituições, de acordo com entrevista de Reinaldo Centoducatte, presidente da associação de reitores das federais, ao jornal Folha de S.Paulo. “Aquilo que era um equívoco para três universidades, tornou-se um equívoco maior, agora envolvendo todas as universidades”, afirmou.

O Conselho Federal dos Advogados, a OAB, disse que acionaria o Supremo Tribunal Federal (STF) por considerar que a autonomia universitária estava sendo violada. O deputado Alessandro Molon (PSB), também prometeu levar o caso ao STF. Já o deputado Bacelar afirmou que chamaria o ministro para se explicar na Câmara dos deputados.

Ao ampliar o corte a todas as federais, o governo, que é acusado de motivações ideológicas na medida, se blinda com o argumento de isonomia diante das instituições. Isso porque em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro havia justificado o corte por um suposto fraco rendimento acadêmico das três universidades e por atividades políticas que ocorrem nos campi, consideradas “balbúrdia” por Weintraub. “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse ele, citando a presença de sem-terra e pessoas nuas dentro do campus como exemplo.

Apesar da cobrança do ministro por mais publicações científicas, chamadas de “lição de casa”, indicadores não confirmam a tese de que a UnB, Ufba e UFF estão sendo pouco produtivas. De acordo com o Web of Science, plataforma de produção acadêmica, as três estão entre as 11 universidades brasileiras que mais ampliaram o número de artigos publicados entre 2008 e 2017. Com os cortes, esse número deve cair, assim como a perspectiva de crescimento das universidades e a adesão de estudantes pelo Sisu. Resta saber como as instituições vão organizar suas verbas para tentar seguir adiante.

Fonte:Exame

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