UE condena Moscou por 1.400 detidos em protestos por eleições livres

A polícia russa prendeu 1.373 pessoas que participavam, no sábado, de uma manifestação em Moscou por eleições livres – informa a ONG OVD-Info, especializada no monitoramento de protestos, em informe divulgado neste domingo (28).

De acordo com a ONG, trata-se do maior número de detenções já registrado desde o movimento de protesto que se seguiu, em 2012, ao retorno de Vladimir Putin ao Kremlin.

Segundo números da polícia de Moscou, cerca de 3.500 pessoas, incluindo 700 jornalistas e blogueiros, acompanharam o ato no sábado. Ontem, a polícia havia informado que 1.074 pessoas foram detidas por “infrações diversas”.

A oposição denuncia a exclusão de candidaturas independentes para as eleições locais de 8 de setembro, que se anunciam complicadas para os candidatos que apoiam a situação, em um contexto de forte insatisfação social.

O protesto de sábado, diante da prefeitura de Moscou, aconteceu após uma concentração que reuniu 22.000 pessoas no último domingo – algo que também não se via desde 2012.

Várias das prisões feitas ontem se deram de forma violenta, com muitos manifestantes feridos na cabeça, segundo jornalistas da AFP.

A embaixada dos Estados Unidos na Rússia denunciou o uso “desproporcional da força policial”.

“A violência e as detenções minam o direito dos cidadãos a participarem do processo democrático”, tuitou a porta-voz da embaixada, Andrea Kalan.

Em nota divulgada mais cedo neste domingo, a União Europeia (UE) também criticou a onda de detenções.

“Estas detenções e o uso desproporcional da força contra os manifestantes pacíficos (…) atentam, mais uma vez, gravemente, contra as liberdades fundamentais de expressão, de associação e de reunião”, disse Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

“Estes direitos fundamentais estão inscritos na Constituição russa, e esperamos que sejam protegidos”, reforçou a porta-voz, citada no comunicado.

A poucos meses das eleições russas, a UE insistiu em que “se criem condições iguais” para todas as forças políticas.

“Esperamos das autoridades da Federação Russa que respeitem seus compromissos com a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) e as demais obrigações internacionais, quando organizarem as próximas eleições locais”, completou a nota.

Ontem à noite, a ONG Anistia Internacional denunciou o “uso excessivo da força” por parte da polícia e pediu a “libertação imediata de manifestantes pacíficos”.

Pela manhã, antes do ato, vários opositores ao governo já haviam sido presos, e suas residências e locais de trabalho, revistados.

O opositor Ilia Iashin anunciou uma “nova grande manifestação”, em 3 de agosto, em Moscou.

Na última quarta-feira, o principal opositor ao Kremlin, Alexei Navalni, foi condenado a 30 dias de prisão por violação das “regras das manifestações”.

Neste domingo, Navalni foi hospitalizado, devido a uma “grave reação alérgica”, informou sua porta-voz, acrescentando que ele nunca teve nenhum tipo de alergia antes.

Estas ações judiciais se deram após a abertura de uma investigação por “obstaculização do trabalho da Comissão Eleitoral” de Moscou, durante manifestações em meados de julho.

Fonte:Exame

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