Uma semana depois, União Europeia responde à eleição venezuelana

Depois de passada uma semana do pleito que reconduziu Nicolás Maduro à presidência da Venezuela até 2025, a União Europeia decidiu se manifestar. Nesta segunda-feira 28, os ministros das relações exteriores dos países do bloco devem emitir um comunicado conjunto condenando a eleição, realizada no último dia 20 e considerada fraudulenta pela comunidade internacional.

O posicionamento europeu chega depois de vários países já terem se manifestado contra o resultado das eleições — que deu vitória a Maduro com 5,8 milhões de votos, cerca de 68% dos votos válidos, contra 1,8 milhão para seu principal adversário, o oposicionista Henri Falcón. Apenas 46% do eleitorado votou, marcando a menor taxa de comparecimento às urnas desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998.

Na semana passada, o recém formado Grupo de Lima (composto por pelo Peru, Argentina, Brasil, México, Panamá, Paraguai, Santa Lúcia, Canadá, Colômbia, Honduras, Costa Rica e Guatemala) afirmou que não reconhecia a legitimidade do processo eleitoral venezuelano. Antes disso, os Estados Unidos afirmaram não reconhecer a vitória de Maduro. Antes mesmo de o resultado ser divulgado, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, classificou o pleito como uma farsa.

Em represália, o governo americano anunciou que vai limitar a venda de títulos e ativos públicos da Venezuela. Maduro respondeu ordenando a expulsão de diplomatas americanos do país. Já a União Europeia estuda a possibilidade de impor novas sanções econômicas a 11 autoridades venezuelanas a partir do mês de junho. Em novembro, o bloco estabeleceu um embargo de armas contra o país.

A dúvida é o quanto essas medidas são realmente efetivas em isolar Caracas e pressionar o governo de Maduro. A Venezuela vive uma grave crise econômica, com previsão de aumento de 12.870% na inflação este ano, crise de abastecimento de alimentos e remédios. Por dia, cerca de 5.000 venezuelanos deixam o país, segundo a ONU. Sem a imposição de embargos ao petróleo venezuelano (responsável por 95% das exportações), a própria União Europeia acredita que o impacto de novas sanções seja limitado.

Enquanto isso, Maduro continua pisando cada dia mais fundo no autoritarismo. Na última sexta-feira, o governo anunciou a prisão de ao menos 11 militares acusados de planejar um golpe contra o presidente.

Fonte:Exame

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